quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Biografia

Bem no início do "Contrato Social", Rousseau afirma que "o homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros". Discutindo esse fato, o filósofo criou uma das obras fundamentais da filosofia política ocidental.

Jean-Jacques Rousseau perdeu a mãe ao nascer e foi educado por um pastor protestante na cidade de Bossey (Suíça). Voltou para Genebra e ali exerceu vários ofícios, entre eles o de gravador. Foi ainda professor de música em Lausanne (também na Suíça).

Tornando-se amante de madame de Warens, viveu com ela em Chambery (França) até 1740.

Em 1742, estabeleceu-se em Paris, onde fez amizade com os filósofos iluministas (os chamados "philosophes"), entre os quais estavam Diderot e Condillac. Colaborou na "Enciclopédia" (coordenada por Diderot), escrevendo diversos verbetes. Ainda em Paris, uniu-se a Thérèse Levasseur, com quem viveu muitos anos.

Em 1749, a Academia de Dijon propôs um prêmio para quem respondesse à seguinte questão: "O estabelecimento das ciências e das artes terá contribuído para aprimorar os costumes?" Em consequência do que ele mesmo considerou uma iluminação, Rousseau escreveu o "Discurso Sobre as Ciências e as Artes", tratando já da maioria dos temas importantes em sua filosofia e respondendo negativamente àquela pergunta. Em julho do ano seguinte, recebeu o primeiro prêmio: uma medalha de ouro e 300 libras francesas.

Com a publicação dessa obra, Rousseau conquistou reconhecimento. Seguiram-se anos de grande atividade reflexiva. Em 1755, publicou-se o "Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens". Em 1761, veio à luz "A Nova Heloísa", romance epistolar que obteve grande sucesso. No ano seguinte, saíram duas de suas obras mais importantes: o ensaio "Do Contrato Social" e o tratado pedagógico "Emílio, ou da Educação".

Em 1762, Rousseau foi perseguido por conta de suas obras, consideradas ofensivas à moral e à religião, e obrigado a exilar-se em Neuchâtel (Suíça). Três anos depois, partiu para a Inglaterra, a convite do filósofo David Hume.

Retornando para a França em 1767, casou-se finalmente com Thérèse Levasseur.

Além de escritor e filósofo, Rousseau foi um apaixonado por música. Estudou teoria musical, escreveu duas óperas ("As Musas Galantes" e "O Adivinho da Aldeia") e publicou um "Dicionário de Música".

Em seus últimos anos, viveu sob a proteção do marquês de Girardin, no castelo de Ermenonville, na França. Em 1776, publicou experiências, reflexões e sensações no livro "Os Devaneios de um Caminhante Solitário".

Ao morrer, Jean-Jacques Rousseau deixou vasta obra, cujo valor vem sendo permanentemente redescoberto. Suas últimas experiências estão registradas nas "Confissões", obra publicada postumamente.

Jargões Populares de Rousseau

  • "O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros . Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto eles."
  • "A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza"
  • "O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém'"
  • "E quais poderiam ser as correntes da dependência entre homens que nada possuem? Se me expulsam de uma árvore, sou livre para ir a uma outra"
  • "A meditação em locais retirados, o estudo da natureza e a contemplação do universo forçam um solitário a procurar a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente"
  • "A única instituição que ainda se constitui natural é a Família "
  • "O escravo não é propriedade do outro, mas não deixa de ser homem ".
  • "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe."
  • "Mesmo quando cada um de nós pudesse alienar-se não poderia alienar a seus filhos: eles nascem homens e livres, sua liberdade lhes pertence e ninguém, senão eles, pode dispor dela. Antes de chegar à idade da razão, o pai pode, em seu nome, estipular as condições de sua conservação, do seu bem-estar, porém, não dá-los irrevogável e incondicionalmente porque um dom semelhante contraria os fins da natureza e sobrepuja os limites da finalidade paternal. Seria, pois, preciso para que um governo arbitrário fosse legítimo, que, em cada geração o povo fosse dono de aceitá-lo ou de rejeitá-lo; porém, então o governo não seria arbitrário."
  • Sobre o governo, que para Rousseau é "Um corpo intermediário entre os súditos e o soberano, para sua mútua correspondência, encarregado da execução das leis e da conservação da liberdade, tanto civil como política.", e a submissão do povo aos chefes [governantes] diz: "É somente um incumbência, um cargo, pelo qual simples empregados [governantes] do soberano [povo] exercem em seu nome o poder de que os faz depositários, e que ele pode limitar, modificar e reivindicar quando lhe aprouver."
  • "Se houvesse um povo de deuses, ele seria governado democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens.

Principais obras de Jean-Jacques Rousseau

Rousseau foi um escritor fecundo e trabalhou febrilmente durante longo período de vida. Abaixo uma lista de seus escritos mais referenciados:

  • Dissertação sobre a música moderna, 1736.
  • Discurso sobre as ciências e as artes (Discours sur les sciences et les arts), 1750.
  • Narciso ou o Amante de si mesmo: 1752
  • Discurso sobre a origem e os fundamentos da Desigualdade entre os homens (Discours sur l’origine et les fondements de l’inégalité parmi les hommes), 1754.
  • Discurso sobre economia política, 1755.
  • Carta a D’Alembert sobre os espetáculos, 1758 (Lettre à d’Alembert sur les spectacles).
  • Júlia, ou a Nova Heloísa (Julie, ou la nouvelle Héloïse), 1761.
  • Emílio, ou Da Educação (Émile ou de l’éducation), 1762.
  • A Profissão de Fé do Vigário Saboiano, 1762 (in Émile).
  • Do Contrato Social (Du contrat social), 1762.
  • Cartas da Montanha, 1764 (Lettres de la montagne).
  • As Confissões (Les Confessions), 1770, publicadas em 1782.
  • Projeto de Constituição da Córsega, 1772.
  • Considerações sobre o governo da Polônia, 1772.
  • Ensaio sobre a origem das línguas, publicado em 1781 (Essai sur l’origine des langues).
  • Os Devaneios do Caminhantes solitário, 1782 (Rêveries du promeneur solitaire)
  • Diálogos: Rousseau Juiz de Jean-Jacques, publicado em 1782.

Teoria Política

Sua teoria política é sob vários aspectos uma síntese de Hobbes e Locke.

Foi o ferro e o trigo que civilizaram os homens e arruinaram a raça humana. Do cultivo da terra, sua divisão seguiu-se necessariamente. Quando as heranças cresceram em número e extensão ao ponto de cobrir toda a terra e de confrontarem umas com as outras, algumas delas tinham que crescer as custas de outras. A sociedade nascente deu lugar ao mais horrível estado de guerra.

Posteriormente Rousseau propôs que esse estado de guerra forçou os proprietários de terra ricos a recorrer a um sistema de leis que eles impuseram para proteger sua propriedade.

Estão no pensamento de Rousseau aquelas linhas que serão logo a seguir características do movimento romântico que caracterizou a primeira metade do século XIX: A valorização dos sentimentos em detrimento da razão intelectual, e da natureza mais autêntica do homem, em contraposição ao artificialismo da vida civilizada. Sua influencia no movimento romântico foi enorme.

Pensamentos e Ideais

Rousseau é o filósofo iluminista precursor do romantismo do século XIX.

Foi característico do Iluminismo, o pensamento de que a sociedade havia pervertido o homem natural, o "selvagem nobre" que havia vivido harmoniosamente com a natureza, livre de egoísmo, cobiça, possessividade e ciúme.

Em seu Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes (1755, Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens) ele dá uma descrição hipotética do estado natural do homem, propondo que, apesar de desigualmente dotado pela natureza, os homens em uma dada época eram de fato iguais: eles viviam isolados um dos outros e não estavam subordinados a ninguém; eles evitavam uns aos outros como fazem os animais selvagens.

De acordo com Rousseau, cataclismas geológicos reuniram os homens para a "idade de ouro" descrita em vários mitos, uma idade de vida comunal primitiva na qual o homem aprendia o bem junto com o mal nos prazeres do amor, amizade, canções, e danças e no sofrimento da inveja, ódio e guerra. A descoberta do ferro e do trigo iniciou o terceiro estágio da evolução humana por criar a necessidade da propriedade privada.

Pensamento de Rousseau: Rousseau critica o absolutismo francês, e prefere a democracia. A lei deve ser igual para todos, e ninguém deve se por acima dela. A liberdade é boa e nutre os fortes, mas abate os fracos. Na pátria que Rousseau queria ter nascido, os homens, acostumados à independência, são dignos dela. Nela, o domínio da fronteira não seria motivo de guerra. O direito de legislar seria comum a todos os cidadãos.




Jean Jacques Rousseau

Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de Junho de 1712Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um filósofo, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata suíço. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo.

Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rousseau inspirou todos os movimentos que visavam uma busca pela liberdade.

Incluem-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, o Anarquismo etc.

Sua influência se faz sentir em nomes da literatura como Tolstói e Thoreau, influencia também movimentos de Ecologia Profunda, pois ele acreditava na proximidade homem-natureza, e afirmava que os problemas dos homens vinham da convivência da sociedade e não da natureza.


Foi um dos precursores da Revolução Francesa, apesar de ter alguns de seus pensamentos distorcidos e utilizados de forma errada.

Influencias e Influenciados

Rosseau foi influenciado por filósofos e personalidades marcantes como: Maquiavel, Montesquieu, Diderot, Thomas Hobbes, John Locke, Descartes e Cícero

E por ter sido uma personalidade tambem muito marcante, influenciou grandes nomes como: Robespierre, Napoleão, Immanuel Kant, Durkheim, Friedrich Hegel, Tolstói, Marx, Bakunin, e o Romantismo de uma forma geral.